Estudos sobre os Povos Romanis

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PRESENÇA DOS CIGANOS EM VALENÇA- RJ

Matéria para Jornal Local

(autoria Raquel Freire)

Contar a história dos ciganos é contar uma História com H maiúsculo: são emoções e resiliências fortes! No dia primeiro de agosto de dois mil e vinte e três por volta das treze e dezenove horas através dos relatos da Bibio (como são chamadas no dialeto Romani, “tia”) Eliane Sava, havia falecido Dorival de 84 anos, um líder da comunidade Cigana Rom de Barbacena e também pai de sua nora. Se tratando de tradição cigana, um líder é um senhor mais velho, com grande experiência e que é reportado para aconselhar sobre as questões relacionadas à família e tudo o que envolva aqueles ciganos.
Tia Eliane conta que as tradições que permanecem até hoje em especial é o casamento que ainda é pago em ouro, como um dote. São três dias de casamento, em que o primeiro dia de festa é o pai do rapaz quem custeia, o segundo o pai da noiva. Geralmente casam entre 14 e 15 anos, e a noiva casa-se virgem.
Sobre a chegada da família Sava no Brasil foi através de sua avó que veio da Itália com um cigano e tiveram 17 filhos. Ao chegar aqui o sobrenome original era “Sava”, porém com os casamentos foram mudando para “Savat” ou “Savá”. Todos eles possuem parentesco, e essa família é bem extensa, sendo encontrados especialmente em Barbacena- MG, Campinas- SP e Belo Horizonte- MG. O Grupo ao qual os Sava pertencem são os Roms, ou como entre eles chamam, “Romo”.
Em Valença, tio Carlinhos, como era conhecido pelos sobrinhos e pai de Bibio Eliane chegou em Valença aos 18 anos em meados de 1958, mesma época em que os Roms acampavam e eram mais nômades, não permanecendo muito tempo na mesma cidade. Faziam um trabalho durante um mês naquela cidade, e depois levantavam acampamento.
Porém não foi o mesmo destino que aconteceu com Tio Osvaldo, irmão de Carlos Sava que ao chegar em Valença- RJ casou- se com uma brasileira, e decidiu ali permanecer. No bairro Benfica montaram barraca onde tiveram sete filhos. O mesmo aconteceu também com seu irmão Osvaldo que casou com uma Gadji (não cigana).
Bibi conta que além do Benfica, na parte de cima do Carambita eram um dos lugares que o tio dela Osvaldo, morou com seu pai durante algum tempo. Tio Osvaldo morreu em Valença, e tio Paulinho voltou anos depois com o pai de tia Eliane para Barbacena.

Bairro Carambita em Valença RJ


Diferente do romantismo dos filmes e novelas, morar em acampamento não parece nada fácil. A falta de saneamento básico, encanamento eram tempos árduos, e que quando a situação financeira melhorou decidiram não mais o nomadismo. Apesar de tudo nos bairros valencianos fizeram muitas amizades, já que precisavam de água e fio de luz, e assim, até hoje essas vizinhas da época os reconhece e lembra dessa época.
O labor cigano era em especial fazer tachos de cobre para feitura de doces, e alambique de cachaça todos de cobre. Era comum vender roupas de cama de porta em porta, além do “Dabaripê” (leitura da sorte). Cerca de 20 anos atrás que a família Sava decidiu construir casas e se tornaram sedentários.
Eliane Sava hoje mora em Barbacena junto com seus filhos, noras e netos, mas há ainda a presença dos ciganos em Valença- RJ, em especial, Biquinha, Vadinho Fonseca, Santa Rosa, Taboas, no caso do Grupo Rom. No caso dos Calons, eles vêm para fazer a leitura de mãos vindos de Resende- RJ, se hospedam em pousadas, e não ficam mais que dois ou três dias.
O que faz o cigano ser uma etnia é sua riqueza cultural, seus Grupos (Roms, Calons, e Sinti), Subgrupos (Horahane, Machuaia, Lovara, Kalderacha, Rudari), suas especificidades e formas de viver, seu dialeto único como o Romani, Shibi, Calé, Sintó; a sua dança, sua arte, e suas roupas. Sua espiritualidade faz parte de sua liberdade que é independente de família para família já que podem ser Islamitas, Judeus, Evangélicos, Espíritas, Umbandistas, Espiritualistas ou Ateus. Diferente do que possam pensar, cigano não é religião e é uma cultura viva, de pessoas vivas, e de uma etnia milenar que segundo estudos há 1500 a.c. desde sua Diáspora na Índia. Apesar do censo do IBGE não ter um número preciso de quantos ciganos moram no Brasil, estima-se um milhão deles espalhados por todos os estados desde o primeiro deportado de Portugal, Johão de Torres em 1574.
Ao final dessa gostosa conversa Tia Eliane sempre muito alegre e divertida me deseja sorte dizendo Te aves Bartale!

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